Ida Rolf

1221424052979981História de Ida Rolf – Compilado pela Rolfista Hulda Bretones

A sua personalidade e sua história pessoal se relacionaram diretamente com o desenvolvimento do trabalho que criou e nominou de Integração Estrutural®.

Nota importante é lembrar que o nome Rolfing foi um apelido criado quando ensinava em Esalen, Califórnia e depois se tornou a marca registrada do trabalho.

Personalidade: curiosidade intelectual, vivacidade, e nunca temer colocar em prática o que aprendia.

História pessoal: a necessidade de cuidados com a própria saúde a levaram ao contato e conhecimento da Osteopatia, Homeopatia e Yoga, porque ela também foi uma pessoa que não conseguia ajuda em outros lugares. Esses três grandes sistemas propiciaram a base da sua visão ou compreensão do homem (seu corpo e as relações corpo-mente-emoções).

Conheceu a Osteopatia ainda bem jovem, devido a um coice de cavalo, durante uma viagem de férias. Primeiro, desenvolveu uma febre alta que não passava e o médico do hospital onde foi atendida, insatisfeito, chamou um jovem osteopata. Após o trabalho dele com ela, ela pode voltar a respirar normalmente e a febre cedeu.

Já em casa sua mãe a levou ao Dr. Thomas Morrison, osteopata cego, com quem continuou se tratando – e de quem se tornou amiga.

Ida Rolf foi educada em escolas públicas de New York e em 1916 recebeu título de Bacharel no Barnard College.

1916 – Foi admitida no quadro técnico do Instituto Rockefeller, NY, (hoje Universidade Rockefeller), uma rara oportunidade para mulheres naquele época, possível porque estavam no meio da primeira guerra, e os homens e os rapazes estavam em campo de batalha – o que abriu essa possibilidade para as mulheres. E então, aos 20 anos de idade, ela era uma mulher vivendo em um lugar até então dado aos homens.

1917 – Estava participando de uma pesquisa o sobre gripe, cujo objetivo era descobrir se haveria de alguma forma proteger as células contra a entrada dos vírus.

Trabalhando no instituto, recebeu permissão para seguir seus estudos, tornando-se Doutora em bioquímica pela Universidade de Columbia.

Início da década de 20 – aos 24 anos de idade – uma amiga lhe apresentou a homeopatia, praticamente inexistente na América de então – e assim, mais uma vez motivada por cuidados e interesses pessoais, conseguiu licença do Instituto por algum tempo e foi estudar homeopatia em Zurique, Suíça com um certo Dr. Smith.

“Havia em mim muitas coisas erradas; eu tinha um problema de curvatura da coluna e não sabia. Era pré-diabética e também não o sabia. Fui à Suíça com uma licença para me ausentar temporariamente do Instituto Rockefeller”.

Aos 25 anos casou-se com Walter Demmerle.

Durante toda a década de 20 também esteve participando de um grupo que praticava Yoga, as posturas da Hatha Yoga, e que também se reunia para discussões teóricas e palestras. O professor era um americano chamado Pierre Bernard.

Em 1932 nasceu seu primeiro filho (e em 33, o segundo). Além disso, seu pai havia falecido, e ela tinha de cuidar dos negócios da família, era filha única, cuidar inclusive da administração do inventário de seu pai.

Em 1932 ela deixou o Instituto, pelos fatos acima, mas principalmente para cuidar dos filhos.

Década de 30 até início da década de 40 – negócios da família, filhos, seus estudos, sua prática de Yoga.

Ida já conhecia por experiência própria e estudos que a Osteopatia é um sistema e tratamento que altera o modo como os ossos do corpo relacionam-se entre si, libera obstruções entre as articulações e, assim, aumenta o bem-estar. Esse método se aplica muito bem para lesões causadas por impacto traumático, nas quais a mera mecânica da situação determina que se há uma costela deslocada, a respiração ficará dificultada. Voltando ao seu lugar natural, a respiração volta ao normal. Um osteopata trabalha para recolocar os ossos nos seus devidos lugares ejou para melhorar suas relações

A premissa básica da osteopatia é: A estrutura determina a função.

Com a Homeopatia, Ida aprendeu sobre os poderes de cura inerentes à pessoa ou ao ser vivo, e sobre o processo de cura dos sintomas tratando-se não os sintomas isoladamente, mas suas causas, e através do reequilíbrio da pessoa como um todo (questões ou traumas crônicos que envolvem também as várias dimensões da vida da pessoa).

Essas duas escolas contribuíram para a formação inicial das concepções de Ida sobre o corpo. Mas a base principal de suas ideias foi a Yoga.

A premissa básica da Hatha ioga é a de que o trabalho no corpo da pessoa melhora não só as condições de vida física, mas também a emocional e a espiritual.

Em termos físicos as posturas Yogues aumentam o espaço das superfícies de contato ósseas (articulações).

O pressuposto básico é o de que o corpo precisa alongar-se. E as posturas levam a isso.

Mas a Yoga busca desenvolver o ser humano superior, as praticas tem o objetivo de trazer à tona as mais elevadas qualidades do homem, educando-as e desenvolvendo-as. Foi esse aspecto que atraiu e manteve Ida interessada, primeiro em relação a seu próprio desenvolvimento pessoal, depois em relação à educação de seus filhos.

1940 – Início da segunda guerra – Ida ao redor dos 44 anos de idade, cuidava dos filhos, dos negócios da família, praticava Yoga, estudava. Foi quando, quase que acidentalmente começou a trabalhar com pessoas – e a desenvolver a IE.

Ela usava técnicas da Yoga (posturas) e ia orientando pelo movimento.

 

Ethel, sua primeira “cliente”
Numa visita de um amigo, que traz a esposa, tomando chá, Ida comenta o desejo de que os filhos fossem para uma das escolas que desenvolviam trabalho pioneiro com música. Conversa de hora de chá… E a esposa do amigo comenta que esse trabalho parecia com o trabalho que sua irmã Ethel fazia. Ida quis conhece-la. A mulher disse que sua irmã já não podia mais dar aulas de piano, pois havia sofrido um acidente e não podia mais dar aula de música. Não conseguia mais tocar piano. Mas Ida disse que gostaria de conhece-la assim mesmo. E conheceu.

Ethel havia caído num buraco e machucou muito uma das mãos e o braço. Ida disse: “Aposto que posso dar um jeito nisso”. ‘Você confia em mim o bastante? Piorar não vai. Façamos uma troca. Se eu conseguir fazer com que você volte a dar aula de música, você dará aulas para os meus filhos?

Usou exercícios de Yoga que ela mesma praticava. Depois de trabalharem 4 vezes, Ethel estava boa o bastante para ensinar música novamente.

E foi assim que a IE iria iniciar seu nascimento.
Ehtel tinha um amigo que precisava de ajuda e este, por sua vez, também tinha outro amigo, e assim por diante.

Ida ensinava e orientava as pessoas que a procuravam para praticarem ásanas e exercícios de movimento.

Aos poucos percebeu que as posturas nem sempre conseguiam atingir o objetivo de alongar e separar as articulações, que num grande número de casos, ocorria uma verdadeira contração das superfícies articulares. E Ida começou a tocar as regiões que seus clientes não conseguiam alongar através dos ásanas.

E na busca por melhores soluções a esse desafio, Ida conheceu uma moça, a quem chamava de senhorita Brown. Ela aplicava exercícios que aprendera com uma grande osteopata de sessenta anos, Amy Cochran.

Nos últimos anos de guerra, quando Amy Cochran, que dizia que recebera orientação mediúnica de um certo Dr. Rush (o médico que assinou a Declaração da Independência) voltou para Califórnia, Ida foi atrás dela. Ela atravessou o país de carro com seus dois filhos e um gato de pelo laranja. Ficou um ano na Califórnia. Voltou e começou a aplicar o que tinha visto e aprendido, técnicas manipulativas e exercícios, em pessoas que ainda estavam procurando por ela em sua casa.

Uma delas era Grace. Completamente paralisada em seus principais movimentos, aos 45 anos, antes mesmo de Ida ir para o curso com Amy, Grace veio procura-la. Aos 8 anos de idade havia caído do telhado e ela ficou praticamente partida ao meio – com grandes restrições de movimento. Não conseguia dobrar-se para colocar meias ou levantar o braço para fechar uma veneziana. Ao voltar do treinamento com Amy, Ida disse a Grace que iria dar um jeito nela: “O dia em que comecei a trabalhar com Grace foi o dia em que realmente o Rolfing começou“.

Ida olhava e dizia, “Isto está fora de lugar. E agora Grace, você sente que fica melhor desse jeito ou do outro?”. “Assim”, respondia Grace. E daí elas consertavam aquele cantinho. Isso aconteceu por dois anos. Ao final, Grace se levantou e foi sozinha para a Califórnia.

Nascia o primeiro princípio da IE – Rolfing: deslocar o tecido mole para o lugar onde realmente deve ficar.

Os anos seguintes, conforme ia atendendo os casos, percebeu a criação de um padrão em seu procedimento de tocar: tocava buscando melhorar o alongamento e o equilíbrio dos corpos.

No início da década de 50, Ida com 54 anos, no inverno, foi estudar Semântica Geral, fundada por Korzybski, e conheceu Sam Fulkerson, que conhecera o fundador pessoalmente e também ensinava essa metodologia, da aplicação dos princfpios de engenharia à linguagem.

Sam foi quem a levou a ensinar o trabalho que desenvolvia. Ele intuiu que o jeito de fazer o Rolfing progredir era ensinando-o, e chegou a patrocinar as duas primeiras turmas.

Professores especializados ensinavam Anatomia, Cinesiologia, Fisiologia, e depois Ida ensinava sua prática e princípios subjacentes.

Novos desafios se apresentaram. Os primeiros alunos dessas turmas eram quiropratas e osteopatas, que depois encamparam o trabalho e usavam como auxiliar em suas atividades. Queriam adotá-lo dentro da sua atividade de quiropraxia ou osteopatia. Ida não gostava. Mas era o que tinha para o momento. Dizia: “Quando se começa do zero, começa-se do zero e, palavra de honra, é muito trabalho. Você dá a alma, o suor, a perspicácia e não dá atenção para mais nada”.

Esses quiropratas e osteopatas de então consideraram o trabalho apenas como uma técnica, não como uma metologia baseada em princípios, baseados em uma visão. Ida já havia concluído que a questão não era curar sintomas, mas que os sintomas curar-se-iam ou desapareceriam à medida que os organismos se tornassem equilibrados – o corpo todo.

Outro aspecto foi o de ex-alunos que saiam ensinando e oferecendo sessões para a lista de clientes de Ida, como ocorreu na Inglaterra.

Ao final da década de 50 Ida já havia ensinado e formados Rolfistas nos EUA, Canadá e Inglaterra e nessa época solicitava que os alunos assinassem um contrato.

1965 conheceu Fritz Perls (Gestalt terapeuta) em Esalen. Ele foi se tratar com Ida, por indicação de uma Rolfista. Tinha histórico de ataques cardíacos.

A partir daí, todos os verões Ida ia para, Esalen, Big Sur (entre São Francisco e Los Angeles).

1969 – primeira pesquisa sobre os efeitos do Rolfing

1970 o escritório de Rolfing funcionava numa perua.
1970 aconteceu o primeiro encontro dos rolfistas em Esalen (40 ao todo) – que repetia-se todo ano. Formou-se a liga dos rolfistas (Guild ofr Structural lntegration), para que os rolfistas pudessem se comunicar através de um centro. Ele deu origem ao Rolf lnstitute, em Boulder, Colorado

1971- Fundação Rolf Institute -RISI- Rolf lnstitute for Structural Integration

1976 – o número de rolfistas (180) era suficiente para dar à Dra, Rolf os subsídios necessários à sua subsistência, através das mensalidades pagas ao Instituto.

1979 – Falecimento de Ida Rolf